Se você chegou aqui é porque bateu aquele desespero clássico: apareceu uma trinca, um pedaço que quebrou, ou um encaixe do cesto da máquina de lavar ficou “bambo” — e a primeira ideia é: dá pra colar e seguir a vida?
Eu vou ser bem direta: colar “cesto” é uma das coisas mais ingratas da lavanderia, porque ali tem água + sabão + vibração + centrifugação (que é basicamente uma academia de crossfit pro reparo).
Ainda assim, em alguns casos dá pra fazer um conserto bem mais resistente do que “passar cola e rezar”. E a “melhor cola” muda totalmente conforme o material do cesto e onde está a quebra.
Quando vale a pena colar e quando é melhor trocar a peça
Trincas pequenas vs quebras estruturais (zona de risco na centrifugação)
- Trinca fina, longe do eixo/rolamento e longe de áreas que flexionam: às vezes dá pra reparar, principalmente se você conseguir reforçar.
- Quebra perto do eixo, do miolo, da base ou de pontos que levam esforço: eu já considero zona de risco, porque a centrifugação pode abrir a trinca de novo e ainda provocar vibração, barulho e dano em outras peças.
- Pedaço grande faltando (sem encaixe bom): colagem tende a virar “tapa-buraco” temporário.
Sinais de que a cola não vai segurar (e pode piorar o problema)
- O material parece “encerado”, bem liso e meio “oleoso” (muito comum em PP/PE).
- A trinca abre e fecha quando você pressiona levemente (ou seja: a área trabalha o tempo todo).
- A quebra é numa região que recebe impacto direto de roupa batendo, ou esforço do movimento do cesto.
Segurança: por que “remendo” no cesto pode soltar em alta rotação
O maior problema não é só “não colar”. É soltar durante a centrifugação. Se isso acontece, pode:
- desequilibrar tudo,
- aumentar vibração,
- trincar mais,
- danificar outras partes internas.
Se a sua lavadora já estava pulando/trepidando antes, qualquer reparo frágil vira convite pra dar ruim.
Primeiro passo: descobrir o material do cesto
Antes de escolher cola, vale gastar 2 minutos nisso. É o que separa um reparo possível de um reparo impossível.
Como identificar o tipo de plástico pela marcação (PP, ABS, etc.)
Procure no próprio cesto (ou na peça quebrada) uma marcação em alto relevo, tipo:
- PP (polipropileno)
- PE / HDPE (polietileno)
- ABS
- PVC
- PA / Nylon
- PC (policarbonato)
Às vezes vem dentro de um triângulo de reciclagem, às vezes só as letras.
Por que alguns plásticos são “anti-cola” (e como contornar)
PP e PE são campeões de frustração: são plásticos com baixa energia superficial, e muita cola não “morde” neles.
Nesses casos, os caminhos mais confiáveis costumam ser:
- solda plástica/termofusão (derreter e unir),
- primer específico + adesivo adequado (quando disponível),
- reforço mecânico (tela/fibra + epóxi, ou até parafuso/arruela em pontos fora da área molhada, dependendo do desenho da peça).
O que muda se a trinca é no plástico, no aro, no encaixe ou perto do eixo
- Trinca no “corpo” do plástico: dá pra abrir em “V”, colar e reforçar.
- Trinca em borda/aro: borda flexiona muito; precisa reforço.
- Trinca em encaixe: normalmente sofre força repetida; cola pura costuma falhar.
- Perto do eixo/miolo: eu já pendo pra troca/assistência, porque o esforço ali é brutal.
Tipos de cola e qual costuma segurar melhor em vibração + água
Aqui vai o “pulo do gato”: não existe uma cola única que seja a melhor em tudo. Eu separo assim:
Epóxi bicomponente (o mais “coringa”)
Quando é boa ideia
- Reparos em ABS, PC, nylon (com preparo bom).
- Reparos que permitem reforço (tela/fibra por cima).
Limites
- Em PP/PE, pode não aderir bem sem primer/tratamento.
- Se a área flexiona muito, o epóxi pode trincar com o tempo.
👉 Em termos de “cola que o brasileiro encontra fácil”, epóxi bicomponente costuma ser o ponto de partida mais sensato — mas quase sempre eu recomendo usar com reforço.
Adesivo PU (poliuretano)
Pontos fortes
- Boa resistência a vibração em algumas aplicações.
- Pode ter certa “elasticidade” (depende da formulação).
Limites
- Nem sempre gruda bem em plásticos “anti-cola”.
- Pode não ser o melhor para “colar trinca” estrutural fina sem reforço.
Cianoacrilato (tipo Super Bonder): por que geralmente não é a melhor ideia aqui
Ele até “cola” rápido, mas costuma falhar porque:
- não gosta de vibração contínua,
- pode ficar “vidrado” e quebradiço,
- não é pensado pra um ambiente de água + detergente + impacto.
Eu só vejo sentido em pontos pequenos, só pra “posicionar” algo antes de um reforço mais sério — e mesmo assim com cautela.
Silicone/vedações: quando serve (e quando NÃO serve)
Silicone é ótimo pra vedar, não pra segurar “força”.
- Serve: pequenas vedações, impedir infiltração, acabamento.
- Não serve: reparar trinca estrutural do cesto esperando que fique firme.
Solda plástica / “cola plástica” (solvente) e quando faz sentido
Alguns plásticos (como PVC e ABS) podem aceitar bem cimento/solvente específico que “derrete” e funde.
Se o seu material for PP/PE, essa lógica geralmente não funciona.
Reforço com tela/fibra + epóxi: quando ajuda de verdade
Pra mim, é a diferença entre:
- “colei”
e - “reparei”.
Reforço típico:
- tela de fibra de vidro (tipo malha),
- ou tecido resistente/“manta” apropriada,
- embebida no epóxi, cobrindo uma área maior ao redor da trinca.
Isso distribui esforço e diminui a chance de a trinca “caminhar”.
Preparação da área: o que mais influencia no resultado
Se tem uma parte que eu nunca pularia é essa. A cola só é tão forte quanto a preparação.
Limpeza e desengraxe (o que usar e o que evitar)
- Lave com detergente, enxágue bem e seque.
- Depois, desengraxe (sem encharcar a peça).
- Evite qualquer resíduo de amaciante/sabão acumulado.
Se ficar “meio escorregadio”, a cola vai embora na primeira vibração.
Lixamento e “chaveamento” do plástico para a cola agarrar
Lixar cria “dente” (micro ranhuras) pra cola ancorar.
- Lixe ao redor da trinca, numa área maior do que só a linha.
- Não é pra destruir a peça, é pra tirar o brilho e criar aderência.
Como fazer um “V” na trinca para aumentar a área de adesão
Em trinca fina, o erro clássico é colar por cima. O ideal é:
- abrir levemente em formato de canal em V,
- pra cola penetrar e formar “corpo” ali dentro.
Alinhamento e fixação: como prender sem deformar
- Alinhe a peça no lugar certo antes.
- Use fita, presilhas ou algum apoio que não entorte a área.
- Se o cesto ficar torto, você vai ganhar vibração extra depois.
Passo a passo prático para colar do jeito mais resistente possível
Vou descrever o método que, em geral, dá o resultado mais “honesto” quando a colagem é viável:
Sequência recomendada (preparo → aplicação → reforço → cura)
- Desligue da tomada e trabalhe com a peça seca.
- Limpe + desengraxe.
- Lixe uma área generosa ao redor.
- Se for trinca: faça um canal em V leve.
- Aplique o epóxi bicomponente preenchendo o “V”.
- Se possível, aplique reforço com tela/fibra por cima (dos dois lados, quando dá acesso).
- Faça acabamento sem deixar “pontas” que possam pegar roupa.
- Deixe curar totalmente.
Tempo de cura: por que “seco por fora” não é “curado por dentro”
Muita gente perde o reparo aqui. Epóxi pode parecer firme rápido, mas a resistência real vem com cura completa.
Se você coloca pra centrifugar cedo demais, você “arranca” a cola antes dela virar o que deveria.
Teste antes de voltar a usar: como reduzir risco de soltar
- Primeiro teste: ciclo curto sem roupa e sem centrifugação forte (se for possível ajustar).
- Depois: pouca roupa, bem distribuída.
- Se notar barulho diferente ou vibração anormal, pare.
Erros comuns que fazem a cola soltar rápido
Colar por cima sem abrir a trinca
A cola fica só como “tampa”. A trinca continua viva por baixo.
Usar cola errada para PP/PE
Se o seu plástico é desses, você pode gastar cola e tempo e ainda assim ela descolar em “placa”.
Pular o tempo de cura e já centrifugar
Esse é o jeito mais rápido de transformar “reparo” em “trinca maior”.
Colar em área que trabalha (flexiona) o tempo todo
Se a área flexiona, o reparo precisa distribuir esforço (reforço), não só “grudar”.
Alternativas à cola que podem ser mais duráveis
Reposição do cesto (e quando ela resolve de vez)
Quando a quebra é estrutural, trocar a peça costuma ser:
- mais estável,
- mais seguro,
- e às vezes até mais barato do que tentar consertar e depois ter que consertar de novo.
Reparo com termofusão/solda plástica profissional
Em PP/PE, muitas vezes a solução mais realista é solda plástica (fundir o material).
Dá trabalho e exige técnica, mas costuma “conversar” melhor com esses plásticos difíceis.
Assistência técnica: quando compensa chamar
- Quebra perto do eixo/miolo.
- Vibração forte já existente.
- Cesto desalinhado.
- Medo real de soltar e causar dano maior.
Como evitar que o cesto quebre de novo
Sobrecarga, edredom e peças pesadas: como isso força o conjunto
Peso + volume + água = esforço extra. E se a carga fica desequilibrada, piora tudo.
Nível da lavadora e vibração: impacto direto no cesto
Lavadora desnivelada “puxa” o conjunto e aumenta a pancadaria interna. Nivelar é chato, mas salva peça.
Objetos no tambor (moedas, sutiã, etc.) e desgaste por impacto
Coisas pequenas viram “pedrinhas” batendo e abrindo caminho pra trinca.
Perguntas frequentes
Qual é a melhor cola para plástico de cesto de máquina de lavar?
Se eu tiver que escolher um “caminho padrão” quando a colagem é viável, eu iria de epóxi bicomponente com reforço (tela/fibra). Mas a verdade é que, se o plástico for PP/PE, a melhor solução costuma ser solda plástica/termofusão ou um sistema com primer/adesivo específico.
Epóxi aguenta centrifugação?
Pode aguentar quando a trinca é pequena, a área não flexiona demais, a preparação foi bem feita e o reparo tem reforço. Epóxi sozinho em área “trabalhadora” costuma falhar com o tempo.
Posso usar Super Bonder (cianoacrilato) para colar o cesto?
Eu não apostaria nele como reparo principal. Ele até pode “pegar” no começo, mas vibração + água + impacto costumam vencer. Se for usar, que seja só como apoio temporário de alinhamento antes de um reforço mais robusto.
Como saber se o cesto é PP e por que isso importa?
Procure a marcação “PP” na peça. Isso importa porque PP é um dos plásticos que menos gostam de cola, então você precisa mudar a estratégia (primer/adesivo adequado, solda plástica, reforço).
Quanto tempo preciso esperar para usar a lavadora depois de colar?
O “seguro” é respeitar cura total, não só secagem. Se você usar cedo, principalmente com centrifugação, a chance de soltar aumenta muito. Eu sempre prefiro pecar pelo excesso: curar bem e testar aos poucos.
Tem risco de a peça soltar e danificar a lavadora?
Sim, principalmente se a quebra está em área estrutural e a lavadora centrifuga forte. Por isso eu bato tanto na tecla de avaliar onde quebrou e reforçar — ou trocar a peça.
Existe “cola que cola dentro d’água” que funcione nesse caso?
Algumas colas até prometem isso, mas o problema aqui não é só água: é vibração e esforço mecânico repetido. Mesmo colas “para água” podem falhar se a área trabalha.
Quando a única saída é trocar o cesto?
Quando a trinca está perto do eixo/miolo, quando falta material, quando o cesto fica desalinhado, ou quando a lavadora já está vibrando muito. Aí a cola vira aposta — e geralmente não é uma aposta boa.
Conclusão: minha recomendação honesta
Se você quer a resposta direta pra “melhor cola para colar cesto de máquina de lavar”: epóxi bicomponente com reforço é o que mais costuma fazer sentido quando a colagem é possível.
Mas se o seu cesto for PP/PE, ou se a trinca estiver numa área crítica (perto do eixo/miolo), eu encararia solda plástica/termofusão ou troca da peça como caminho mais seguro.
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